sábado, 23 de agosto de 2008


Existe um momento em que todos te vêem como alguém que não pode mais fazer bobagens, dizer besteiras, cometer atos fora dos padrões.

É aquele momento em que você já não pode mais ser uma menina inconseqüente e "chutar o pau da barraca".

A maioria de nós sequer percebe quando esse momento chega. A gente fica ali, vendo o tempo passar, tudo se modificando ao nosso redor: casas, ruas, pessoas, situações...

Tudo em constante mutação, mas a gente, obtusamente, não consegue ver a própria mudança no espelho.

Na verdade, ironicamente, continuamos contemplando em nosso reflexo, a mesma menina crédula e romântica que um dia foi.

Mas as pessoas não mais te enxergam assim... As pessoas não mais toleram de você atitudes distintas dos atos frios e práticos, comuns para as decisões do dia-a-dia, Ninguém tolera mais "sentimentalismo barato" vindo de você.

Todos exigem, unicamente, que vocâ seja uma mulher que pensa sempre muito mais que sente.
E você, por não corresponder às expectativas alheias, sente-se uma alienígena que não se encaixar no protótipo que condiz com a sua idade e condição social.

Deveria existir um ritual de passagem para tal situação. Talvez assim tudo ficasse mais fácil...

Há alguns dias fiz 37 anos (caraca, nunca pensei que escreveria minha idade de forma tão descolada assim). 37 com cara de 27, diga-se de passagem(hahahaha).
Há muito não sou mais uma garotinha. Não posso mais recorrer ao colo da mamãe quando qualquer "coisinha" dá errado.
Com 37 anos, eu deveria ser uma mulher forte, decidida, que não hesitase em correr atrás dos próprios desejos, ou mudá-los quando a vida dissesse "não" para os sonhos antigos.

A maioria de nós crê que uma mulher balzaquiana nunca deveria ter medo do escuro quando, no meio da noite, falta energia. Mas quando isso acontece, tantas vezes, me pego gritando no breu da noite.

Eu, mulher de trinta, deveria saber sempre que rumo escolher, que caminho tomar, que porto atracar.

Mas a verdade é que aqui dentro, no mais recôndido âmago do meu ser, ainda sou uma garotinha confusa e amedrontada. Uma mulher que ainda não aprendeu como lidar com o complexo e dúbio mundo adulto.

Mulher que, tal qual uma menina, se deixa escolher pelo "Porto', porque aquele outro, o porto que ela realmente queria, aquele em que ela por anos a fio desejou atracar, fincar suas âncoras, negou-lhe seu mar.

Essa balzaca-menina tem muito medo, e tantas dúvidas, e chora sozinha tantas vezes sem nem mesmo saber o porquê.

E além de toda essa piégas demonstração de fraqueza, essa mulher-menina, ainda sonha muito com as mesmas coisas que sonhava quando menina.

E ainda almeja os mesmos desejos, ainda que agora sem tanta esperança, mas com a mesma inocente fé da menina crédula que um dia foi, embalada pelas mesmas músicas que um dia fizeram-lhe crer que tudo daria certo.

Talvez tudo já tenha dado certo mesmo, ainda que por uma via diferente. E só eu, mulher-menina boba, com constante vendas nos olhos, não tenha percebido.

É! Pode ser...

7 comentários:

De Marchi ॐ disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
De Marchi ॐ disse...

Expor-se é sempre difícil...

Walter disse...

Se é...
Não só pelo que possamos nos sentir "cobrados", mas, pelo que cobramos de nós mesmos...

De Marchi ॐ disse...

Por outro lado, veja só a Teyla... ela parar de postar nesse blog nos obriga a cobrá-la pela preguiça... hehehehehe

Miragens Telúricas disse...

mequetrefes...

Bert disse...

La sagesse viendra te combler ...

Karin disse...

Que bom que essa menina continua aí! ;)

bjs